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A Vida Secreta do Neurônio

O neurônio está vivo. It’s Alive! Ele se mexe, ele recicla seus componentes, ele descarta conexões desnecessárias e mantém as necessárias.


Pode ter certeza: todos seus neurônios estão se modificando na sua cabeça agora, enquanto a vida acontece. As experiências modificam cada uma das células neuronais e suas conexões com as outras no entorno. Descubra um pouco sobre como vivem seus neurônios aí dentro.





Neuroniolândia: Um mundo de células


Imagine só... Existe uma população enorme de neurônios morando na sua cabeça, e essa população (ou colônia) é aproximadamente 10 vezes maior que o número pessoas vivas hoje no planeta terra.


Atualmente, somos 7,8 bilhões de seres humanos, e seu cérebro abriga entorno de 86 bilhões de neurônios. Todos microscópicos e bem compactados, agrupados em uma massa encefálica de mais ou menos 1,5kg.


Então, como vive o diminuto neurônio? Cada uma dessas células vive em subpopulações que podem ser pensadas como "países" e "cidades" especializados em determinadas funções. Essas subpopulações de neurônios formam os sistemas, como por exemplo o sistema auditivo ou o sistema visual.

Alguns grupamentos de neurônios em regiões associativas reúnem informações vindas de vários sistemas, e assim vamos compondo nossa realidade de modo integrado, sem falhas ou erros. É este trabalho de equipe que está por trás da integridade da realidade. Caso algum grupo de neurônios falhe, a realidade se torna fragmentada, uma parte do mundo se perde para nós. Mas, normalmente, tudo funciona de modo orquestrado e afinado, produzindo um continuum de sensações coerentes e ações alinhadas no espaço e no tempo.


Papéis do neurônio: Comunicador e Decisor


Apesar dos neurônios terem uma vida em conjunto, a vida secreta de um único neurônio é uma vida dupla: ele é especializado na recepção de estímulos de naturezas físicas ou químicas, e na estimulação de outros neurônios. No final das contas, neurônio é um comunicador, e neste ínterin, ele também é um decisor de quais informações valem à pena passar para seus pares locais ou longínquos. O que importa para a maioria dos neurônios é intensidade do estímulo que chega a ele. Assim, ele decide de acordo com a relevância: a partir de certo limiar de estimulação se torna cada vez mais provável que um neurônio vá responder e carregar a informação até outros neurônios. Então, um segredo do segredo é que o neurônio possui uma maneira probabilística de decidir suas ações. Quem estuda este caráter probabilístico da atividade das células nervosas são os neurocientistas eletrofisiologistas, que se apoiam muito nas propriedades químicas e físicas neuronais.

Enquanto você lê, cada neurônio do seu sistema visual e das áreas da linguagem, por exemplo, estão se comunicando entre si e gerando impulsos elétricos que podem, entre outras coisas, inclusive gerar essa voz mental que narra estas frases para você. Ela pode ter sua própria voz ou ficar mais fina ou grossa, dependendo da sua própria vontade. E assim toda mágica vai se criando.


Quando você terminar de ler e decidir sua próxima ação, tente lembrar desta informação e imagine seus neurônios se comunicando. Porque, mesmo que a gente se esqueça que eles fazem isso, alguns punhados dentre os 86 bilhões de neurônios que possuímos vão estar realizando algo da vida secreta que comentamos aqui.

 

Ref.: Bear, Mark F., author. Neuroscience : Exploring the Brain. Philadelphia :Wolters Kluwer, 2016.